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Textos Amor

Oh darling… don’t you ever grow up!

Lembro-me da minha infância tão bem vivida e querida quanto um amigo distante na qual você sente muitas saudades de todos os momentos vividos com ele. Amigo esse que é uma das melhores coisas que já aconteceram na sua vida, mas que já é distante e não é mais o mesmo. Já possui responsabilidades, outros amigos e uma vida que não o permite encontros. Mais especificamente, eu que vos falo e Ingrid (dona e proprietária desse blog). Nós duas, quase da mesma idade, vivemos uma infância de muito amor e convivência. Passávamos horas e horas brincando na rua, elaborando coreografias de danças, reunindo nosso grupo das ‘’meninas super poderosas’’ (feministas desde essa época) e descobrindo o mundo juntas. Era como se só existissem nós, nosso grupo de meninas e o nosso mundo. E ele era o suficiente.

E assim como a maioria das crianças, brigávamos por brincadeiras mal elaboradas, nos perdoávamos por cartinhas e voltávamos a nos falar como se nada tivesse acontecido. E estávamos certas. Compartilhamos os nossos primeiros fracassos, nossa primeira festa de aniversário, nossas primeiras vitórias, nossas primeiras notas vermelhas no colégio e nossos primeiros amores e desamores. Sinto como se não seríamos iguais sem a outra. Aprendemos tanto juntas sobre a vida e nós mesmas que ‘’não seríamos nós sem nós’’.

Nunca esqueço de que quem me apresentou Michael Jackson, nosso grande amor, foi ela. Além de Dirty Dancing, desenhos da Disney e mais uma infinidade de coisas que me fizeram ser o que sou hoje. Fez-me ser mais autêntica, desinibida e amiga. Aprendi com seu amor sem fim pela a vida que não vale a pena o rancor. Que nenhuma pessoa conhece outra a toa e que estamos sempre destinados a conhecer-nos mesmos nos outros e a reconhecer o valor de cada um deles na nossa vida. Imagina o que seria de mim sem ela e ela sem mim? Sim, não é possível! É por isso que hoje estamos aqui, juntas novamente e crescendo constantemente.

É fato que não somos mais as mesmas. Não sou mais a menina de vestido rosa que tinha vergonha de falar em público e nem ela a loirinha de sandália melissa que não tinha vergonha de falar sobre seus sentimentos. Nós mudamos, mas nada mudou entre a gente.  Nos tornamos pessoas tão diferentes, mas tão similares. Hoje possuímos o mesmo amor por fotografia, gatinhos, textos, séries, cinema, músicas e somos diretamente conectadas por nossas intuições e sentimentos como poucas pessoas. E sabemos agora, mais do que nunca, ela estando em São Paulo e eu em Fortaleza, que a saudade será a mesma de sempre. A saudade de uma convivência de infância que, independente da distância geográfica, estará presente uma vida inteira.

Hoje, nós já adultas, crescidas, com alguns poucos e bons amigos, ela com seu parceiro e eu não, cada uma com suas ideologias, mágoas, contas para pagar… Nos seus cantos e projetos futuros, nos vemos tão pequenas e vulneráveis tantas vezes como um bebê frágil e delicado. E tão inconstantes e imaturas como um adulto que tem a sua vida dedicada apenas ao trabalho. É, já não é mais Dezembro de 2002. Já não assistimos aos mesmos filmes de sessão da tarde, nem mesmo ouvimos Avril Lavigne nas alturas, juntas. Não compramos mais adesivos, revistas ou CDs para ouvir. Não andamos mais de patins e bicicleta de rodinhas na praça. Não sofremos juntas pelos garotinhos do colégio e nem lembramos mais deles (risos).  Mas que bom que hoje nós temos uma a outra, vivendo o mesmo sonho juntas, compartilhando nesse mundo cibernético nossas experiências e lembramos-nos de uma infância TÃO FELIZ.

O que eu levarei sempre disso tudo é que amizade de infância pode ultrapassar qualquer tipo de barreira existente. A barreira da mudança, da distância de idéias e cidades ou até da falta de tempo. É só saber que a vida é uma só e que os amigos nunca serão os mesmos, nem mesmo você. E por mais que vocês mudem, você sempre levará algo dessa amizade. O bom é amar quem te faz bem e valorizar quem nunca desistiu de sua companhia. Não ter medo de perder o orgulho ou de se sentir diferente por isso. Amar nunca será vergonhoso. E abdicar da vergonha por uma amizade de longa data é muito pouco perto dos bons momentos que se vivem juntos. Amizade é algo único e quando nasce na infância é mais especial ainda. Só vocês viveram esses momentos juntos e só dependerá de cada um para que isso continue o resto de suas vidas.

Entendo que quando crianças não temos nenhuma noção de que o que vivemos naquele exato presente será a melhor época da nossa vida. Que os nossos amigos são muito importantes, que cada momento ficará na memória anos mais tarde e será lembrado com saudade. Mas se temos o HOJE para fazer desse tempo uma boa recordação mais tarde, que aproveitemos cada segundo dele com as pessoas que mais amamos. Os sonhos podem mudar, as escolhas também… Mas o amor e as recordações da infância sempre ficam! Nesse dia das crianças desejo a todos que ainda possuem esse amor puro por um amigo de longa data, assim a Ingrid e eu, que aproveitem o dia de hoje para matar o orgulho e a saudade por alguém especial. Transformando toda mágoa ou desinteresse em sentimentos bons. Que assim seja!

 

 

Dedico essa música a todos que também possuem um grande amigo de infância.

Feliz dia das crianças! :)

Damilly Mourão

Olá, meu nome é Dami(lly), tenho 22 anos e estudo psicologia. Tenho como inspiração o contato com a natureza, com os animais e as pessoas que me cercam. Fotografia é minha maior paixão e busco através do cinema, da música e da literatura minha fonte de arte e criação.

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