Linda do Rosário - Adriana Varejão
Arte Música Amor

O amor, a tragédia e a arte!

Em 2015, a exposição “Pele do Tempo” desembarcou no Espaço Cultural Airton de Queiroz, da Universidade de Fortaleza, onde curso Comunicação Social – Jornalismo. Já conhecia o trabalho da artista plástica contemporânea por trás do projeto, a carioca Adriana Varejão. Como a maioria de nós que se permite expor, as obras são cruas, e pode assustar aos menos avisados e preparados. Com vísceras à mostra, peles rasgadas, interiores sangrando, esquartejamento e canibalismo, um verdadeiro abalo atômico. Eu olhava abismada tentando analisar “criticamente” e tentando desvendar o que havia escondido na história daquelas paredes abertas cheias de bile feitos de tinta. Uma das obras expostas chamava “Linda do Rosário”, inspirada em um Hotel, que leva o mesmo nome, localizado na Rua do Rosário, no Rio de Janeiro.

 Eram 15h15 do dia 25, de setembro de 2002, quando o prédio de cinco andares desmoronou deixando três feridos e dois mortos.  Descobriu-se depois que os corpos, na verdade, eram de um casal que havia algum tempo mantinham um relacionamento escondido, e se negaram a sair do local por medo de serem descobertos. Os corpos só foram achados dois dias depois, em meio aos escombros. Conta-se que eles foram separados durante a juventude. Ele, professor, tinha 71 anos. Ela, bancária, tinha 47. Mais uma história de amor impossível. Daqueles que a gente vê quando tá na bad e corre na Netflix procurando qualquer filmezinho romântico que nos faça chorar muito. Não nos damos conta, mas essas histórias são reais, fora do nosso mundo de amor perfeito, casais realmente passam uma barra pra ficarem juntos. O amor tem curvas que a gente desconhece, às vezes a gente sofre, às vezes a gente é feliz, às vezes a gente nem ama, só fica ali, né? E às vezes a gente encontra alguém e esse alguém não pode ser nosso por qualquer motivo cruel e impossível. E às vezes tem o platônico, esse a maioria de nós conhece bem.

Também inspirado pelo caso ocorrido na Rua do Rosário, o compositor e cantor, Marcelo Camelo, compôs a música “Conversa de Botas Batidas”, presente  no CD “Ventura”, de 2003. A música é uma simulação da última conversa do casal que vivia um romance secreto. Depois de saber da história por trás da música, passei a ouvi-la de forma totalmente diferente, ela me tocou de novo. Imaginei o casal, a real última conversa, o tamanho do amor que aceitou deixar de existir para poder continuar em outro lugar, talvez. Depois de entender o contexto da música, ela muda e nos muda.  Correr pra se encontrar, talvez. Se amaram até o fim, talvez. Ficar a sós no céu. Pra sempre.

Cintia Martins

Aprendiz de Jornalista com os dois pés na Antropologia. Apaixonada por cada pedacinho de cultura e de riqueza desse nosso país tão lindo. Pensei em fazer Química, mas percebi que o meu lugar é observando as pessoas, e eu observo, herança desse meu signo de terra. Sou terra a terra, pé no chão. Escrever me faz voar, então, escrevo!

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