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Arte Textos

Black Mirror: um tapa na cara da sociedade

Comecei a assistir Black Mirror por recomendação de uma amiga, em outubro desse ano (ou seja, tardiamente), e ouvi muito da boca dela elogios e mais elogios sobre a série. Só que na minha cabeça, apesar de conhecer o ótimo gosto dessa minha amiga, era só mais uma série maluquinha com roteiro sem nexo e da moda. Mas, mesmo tendo esse preconceito sem fundamento como expectativa, tudo que ela me descreveu ficou martelando na minha mente por horas e horas. Até chegar em casa, lembrar do nome da série (obs: coisa rara de acontecer, se eu lembrei é porque realmente me marcou) e colocar para assistir. Assim que comecei tomei um susto de cara. E acho que todo mundo que assiste também. O primeiro episódio é o mais nojento e maluco de todos. O mais bizarro, creio eu, de toda a série. Mas ainda bem que não desisti de primeira. Pois mesmo com um começo um tanto assustador, cada episódio conta uma história diferente e de várias maneiras. Black Mirror é uma série britânica, dividida basicamente em 3 temporadas (até agora). A primeira temporada possui 3 únicos episódios, a segunda possui 4 e a última tem um total de 6, até o momento. E todos eles contam histórias inusitadas em diversos contextos. Desde um sequestro de uma princesa e ameaça a um poderoso político até uma tecnologia que possibilita uma falsa comunicação com os mortos. Absolutamente todos os episódios são bons. E pra completar: todos possuem mensagens sensacionais sobre o mundo atual. Mostra que a tecnologia e os meios digitais devem estar a favor do ser humano, não o contrário. Com duras críticas e grandes analogias ela traz algo totalmente diferente para o mundo das séries e nos lembra da dura verdade da vida virtual. Pois, é… Eu poderia passar mais algumas boas horas falando dessa sensacional série, mas precisamos ir aos fatos. E, como seria muito difícil falar sobre essa série no geral e seria muita pretensão minha… Escolhi um episódio de cada temporada para falar sobre. E nem imaginem como foi difícil. Pois cada capítulo merece ser falado, discutido e refletido pela singularidade de cada um deles. But, seria quase impossível. Então, creio que minhas escolhas foram boas e diz muito sobre o que a série quer evidenciar.

1. The Entire History Of You

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Esse é o último episódio da primeira temporada e, na minha opinião, o melhor dela. Conta a história de uma era revolucionária onde os seres humanos, através de uma fucking tecnologia, teriam acesso as memórias em um tipo de ”cartão de memória” em forma de implante. E com ele você poderia registrar toda a sua vida com seus olhos e depois projetar para as pessoas assistirem. Além de poder dar zoom, fazer leitura labial, editar e mais. Eu, sinceramente, acho essa ideia bizarra e uma das mais interessantes de toda a série. O protagonista é um jovem, casado e pai de uma bebê. Entre toda a narrativa ele tenta, através do recurso de imagem, entender muitas coisas da sua vida. E com o decorrer da história ele vai ficando ainda mais obcecado e acaba usando acada vez mais de suas memórias como investigação. Ps: É aquilo né? Quem procura acha. E tava bem na cara que ele iria achar. Toda a resolução traz uma reflexão incrível (assim como todos os episódios), mostra que a tecnologia nem sempre andará ao nosso lado. E que pode também trazer muitos malefícios se não houver limite. Necessitamos de um ”delete” natural para tudo funcionar melhor e continuarmos a vida como se nada tivesse acontecido. Ou seja: nem sempre é bom saber de tudo.

2. White Bear

White Bear é o episódio mais real e INCRÍVEL (em caps lock mesmo) de toda a série. A história começa com uma jovem, amarrada em uma cadeira, que acorda sem lembranças, nenhum traço de memória. E possui apenas uma foto de uma criança em seu colo. E mesmo com todo desnorteio e desespero ela segue em busca de ajuda. Mas acaba percebendo que todas as pessoas estão a filmando. Sem entender, ela segue em busca de socorro e acaba esbarrando em um caçador que tenta, a qualquer custo, tirar a sua vida. E a explicação de tudo isso [SPOILER] é que o lugar onde ela está é um parque de diversões chamado White Bear Justice Park, onde todas as pessoas que vivem ali estão hipnotizadas por ondas de tv, ou seja, todos ali são mentalmente escravos de aparelhos eletrônicos e desejam ver a justiça sendo feita. Só que algumas pessoas, mesmo sendo prisioneiras, se livraram dessa hipnose. E com a ajuda de uma dessas pessoas, a protagonista tenta destruir a torre para assim libertar a mente de todos os moradores daquele park. O desvendar de tudo é que ela estava o tempo inteiro sendo perseguida para sofrer a mesma coisa que fez com uma garotinha: sequestrar e matar. Então, todas as pessoas ali se sentiriam justiçadas com seu sofrimento sendo filmado, compartilhado e divulgado. Ela termina humilhada e morta em praça pública, assim como faziam com as bruxas na Idade Média. E a sociedade apenas aliviada e vingada com seu sofrimento. [!!!] E o que tiramos de tudo isso? MUITA COISA! A reflexão de expor o sofrimento alheio por vingança, ou seja, se tornar tão perverso quanto o opressor. A lei do ”olho por olho e dente por dente” que parece que só se fortalece com o tempo. E principalmente, o que o episódio quis explanar a todo o momento: a alienação do excesso de uma necessidade de interação digital, sem limites. Expor, falar, fotografar, registrar, declarar, vigiar tudo e todos, o tempo inteiro. Nos fazendo escravos de nossa própria mente. É sobre o presente, o real, o humano que está escondido por traz de uma tela de computador. É sobre nossos desejos mais terríveis. É sobre eu e você! :(

 3. Nosedive

Eu escolhi esse episódio porque além de fazer totalmente parte do nosso mundo, é bem divertido de assistir e rola uma identificação imediata com uma série de coisas da nossa ”geração virtual”. O capítulo é basicamente sobre uma sociedade que é qualificada a partir de ”likes”. É como aquela função no Facebook que permite cada usuário dizer quantas estrelas merece cada página, marca ou afins… Só que de uma forma mais Hard. Toda a vida da protagonista gira em torno de quantos likes ela tem. Para conseguir um emprego, amigos, comprar gasolina, viajar ou seja o que for: ela necessariamente precisa estar bem avaliada. E se não estiver? Será excluída da sociedade, ficará pobre e sem muitos amigos. Então, Lacie tenta a todo momento subir no nível de pontuação com várias estratégias um tanto interesseiras. Tenta virar amiga de pessoas influentes, agradar a todos em troca de um ”like” e entre outras bizarrices. É uma vida totalmente de aparência e superficialidade. As pessoas só vivem em troca de likes e status. É um ”troco likes” real e a todo momento. Se avalia o gerente, o amigo do lado, o garçom ou o gari. Ninguém escapa. E fazendo uma comparação com nosso universo… Black Mirror fala muito mais sobre nós do que imaginamos. O que mais nos faz lembrar isso tudo se não a nossa própria realidade? Vivemos quase que nessa obsessão por reconhecimento, prestígio e likes. E nos tornamos escravos de números e corações em troca da mesma recompensa que Lacie deseja: aceitação!

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Essa é uma série que eu daria 5 estrelas e o máximo de likes possíveis se me fosse permitido. Além de ser inovadora em conteúdo, interação com a atualidade, ironia e reflexão. É também atual, futurista e não esquece do passado. Traz uma dose bruta de realidade misturada com reflexões futuras do que seremos amanhã. Se conecta absurdamente com todo jovem do século 21 e alerta todos os riscos que passamos. Nos mostra que todas as ferramentas que possuímos têm dois lados e que podem ser usadas também para o mal, o ruim e o inútil. Estragando nossas mentes, nossos relacionamentos, nossas vivências, nossos corpos e memórias. Não é a série mais leve de todas. Não serve pra aliviar a tensão ou nos tornar otimistas natos. E nos deixe triste por muitas vezes. Mas garanto que não nos deixa os mesmos. <3

Damilly Mourão

Olá, meu nome é Dami(lly), tenho 22 anos e estudo psicologia. Tenho como inspiração o contato com a natureza, com os animais e as pessoas que me cercam. Fotografia é minha maior paixão e busco através do cinema, da música e da literatura minha fonte de arte e criação.

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Textos Amor

Oh darling… don’t you ever grow up!

Lembro-me da minha infância tão bem vivida e querida quanto um amigo distante na qual você sente muitas saudades de todos os momentos vividos com ele. Amigo esse que é uma das melhores coisas que já aconteceram na sua vida, mas que já é distante e não é mais o mesmo. Já possui responsabilidades, outros amigos e uma vida que não o permite encontros. Mais especificamente, eu que vos falo e Ingrid (dona e proprietária desse blog). Nós duas, quase da mesma idade, vivemos uma infância de muito amor e convivência. Passávamos horas e horas brincando na rua, elaborando coreografias de danças, reunindo nosso grupo das ‘’meninas super poderosas’’ (feministas desde essa época) e descobrindo o mundo juntas. Era como se só existissem nós, nosso grupo de meninas e o nosso mundo. E ele era o suficiente.

E assim como a maioria das crianças, brigávamos por brincadeiras mal elaboradas, nos perdoávamos por cartinhas e voltávamos a nos falar como se nada tivesse acontecido. E estávamos certas. Compartilhamos os nossos primeiros fracassos, nossa primeira festa de aniversário, nossas primeiras vitórias, nossas primeiras notas vermelhas no colégio e nossos primeiros amores e desamores. Sinto como se não seríamos iguais sem a outra. Aprendemos tanto juntas sobre a vida e nós mesmas que ‘’não seríamos nós sem nós’’.

Nunca esqueço de que quem me apresentou Michael Jackson, nosso grande amor, foi ela. Além de Dirty Dancing, desenhos da Disney e mais uma infinidade de coisas que me fizeram ser o que sou hoje. Fez-me ser mais autêntica, desinibida e amiga. Aprendi com seu amor sem fim pela a vida que não vale a pena o rancor. Que nenhuma pessoa conhece outra a toa e que estamos sempre destinados a conhecer-nos mesmos nos outros e a reconhecer o valor de cada um deles na nossa vida. Imagina o que seria de mim sem ela e ela sem mim? Sim, não é possível! É por isso que hoje estamos aqui, juntas novamente e crescendo constantemente.

É fato que não somos mais as mesmas. Não sou mais a menina de vestido rosa que tinha vergonha de falar em público e nem ela a loirinha de sandália melissa que não tinha vergonha de falar sobre seus sentimentos. Nós mudamos, mas nada mudou entre a gente.  Nos tornamos pessoas tão diferentes, mas tão similares. Hoje possuímos o mesmo amor por fotografia, gatinhos, textos, séries, cinema, músicas e somos diretamente conectadas por nossas intuições e sentimentos como poucas pessoas. E sabemos agora, mais do que nunca, ela estando em São Paulo e eu em Fortaleza, que a saudade será a mesma de sempre. A saudade de uma convivência de infância que, independente da distância geográfica, estará presente uma vida inteira.

Hoje, nós já adultas, crescidas, com alguns poucos e bons amigos, ela com seu parceiro e eu não, cada uma com suas ideologias, mágoas, contas para pagar… Nos seus cantos e projetos futuros, nos vemos tão pequenas e vulneráveis tantas vezes como um bebê frágil e delicado. E tão inconstantes e imaturas como um adulto que tem a sua vida dedicada apenas ao trabalho. É, já não é mais Dezembro de 2002. Já não assistimos aos mesmos filmes de sessão da tarde, nem mesmo ouvimos Avril Lavigne nas alturas, juntas. Não compramos mais adesivos, revistas ou CDs para ouvir. Não andamos mais de patins e bicicleta de rodinhas na praça. Não sofremos juntas pelos garotinhos do colégio e nem lembramos mais deles (risos).  Mas que bom que hoje nós temos uma a outra, vivendo o mesmo sonho juntas, compartilhando nesse mundo cibernético nossas experiências e lembramos-nos de uma infância TÃO FELIZ.

O que eu levarei sempre disso tudo é que amizade de infância pode ultrapassar qualquer tipo de barreira existente. A barreira da mudança, da distância de idéias e cidades ou até da falta de tempo. É só saber que a vida é uma só e que os amigos nunca serão os mesmos, nem mesmo você. E por mais que vocês mudem, você sempre levará algo dessa amizade. O bom é amar quem te faz bem e valorizar quem nunca desistiu de sua companhia. Não ter medo de perder o orgulho ou de se sentir diferente por isso. Amar nunca será vergonhoso. E abdicar da vergonha por uma amizade de longa data é muito pouco perto dos bons momentos que se vivem juntos. Amizade é algo único e quando nasce na infância é mais especial ainda. Só vocês viveram esses momentos juntos e só dependerá de cada um para que isso continue o resto de suas vidas.

Entendo que quando crianças não temos nenhuma noção de que o que vivemos naquele exato presente será a melhor época da nossa vida. Que os nossos amigos são muito importantes, que cada momento ficará na memória anos mais tarde e será lembrado com saudade. Mas se temos o HOJE para fazer desse tempo uma boa recordação mais tarde, que aproveitemos cada segundo dele com as pessoas que mais amamos. Os sonhos podem mudar, as escolhas também… Mas o amor e as recordações da infância sempre ficam! Nesse dia das crianças desejo a todos que ainda possuem esse amor puro por um amigo de longa data, assim a Ingrid e eu, que aproveitem o dia de hoje para matar o orgulho e a saudade por alguém especial. Transformando toda mágoa ou desinteresse em sentimentos bons. Que assim seja!

 

 

Dedico essa música a todos que também possuem um grande amigo de infância.

Feliz dia das crianças! :)

Damilly Mourão

Olá, meu nome é Dami(lly), tenho 22 anos e estudo psicologia. Tenho como inspiração o contato com a natureza, com os animais e as pessoas que me cercam. Fotografia é minha maior paixão e busco através do cinema, da música e da literatura minha fonte de arte e criação.

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Arte Fotografia

Feliz dia mundial da fotografia: a poesia dos olhos!

Hoje é comemorado em todo o mundo o dia da expressão mais estática e emblemática possível. Onde os olhos são os grandes artistas e a câmera a grande ferramenta de criação. Um dependendo exclusivamente do outro e exercendo suas funções da maneira mais conjunta e semelhante possível. Tendo, a câmera, o papel de estender a perspectiva da nossa mais íntima e fantástica visão.

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E, em pensar que a fotografia já passou por épocas em que tirar uma simples foto era considerado algo REVOLUCIONÁRIO. Ter a possibilidade de fazer um registro da sua vida ou de algo histórico da humanidade era como ir á lua em poucos segundos ou descobrir a fórmula da coca-cola, algo inimaginável até a sua criação. Era realmente insano como aconteciam as produções de fotos. As famílias, lado a lado, estáticas esperando pelo primeiro ‘’tiro’’ ou ‘’explosão’’ de flash e todos concentrados, calculando tudo milimetricamente para que o melhor ‘’clique’’ acontecesse.

Não temos noção dessa realidade e jamais teremos. Pelo contrário, a facilidade de a todo instante poder fotografar já nos deixou mecanizados e acostumados com essa grande invenção do ser humano. Nascemos já preparados para sorrir para fotos: ”DIGA X!”. Possuímos registros dos nossos primeiros passos, do aniversário da vovó de 40 anos, do festival de teatro no colégio e dos encontros com os amigos de infância. Não sabemos o que é viver sem registros. É como se o nosso cartão de memória também fosse uma extensão do nosso cérebro.

Parece loucura pensar na dimensão que a fotografia tomou nos dias de hoje. Ela está totalmente inserida na nossa realidade e participando dos piores e melhores momentos de toda humanidade. A todo instante tem alguém registrando algo. A ‘’imagem falada’’ se tornou a voz de muitos e substituiu muitas formas de interação. Uma foto publicada no facebook se comunica tão bem quanto sua descrição. É sua forma de se mostrar ao mundo, é como você quer ser visto, a importância que você dá aquilo, é unicamente sobre você!

Em smartphones de todos os tipos podemos encontrar infinitas histórias infiltradas em suas memórias. Um almoço delicioso, uma roupa nova, um novo amor, um corte no joelho ou um novo gatinho fofinho, quem sabe?  Nada nunca foi tão democrático, necessário e danoso ao mesmo tempo. Da mesma maneira que se pode transformar vidas e realizar conexões de almas, pode também destruir outras. A arma está em nossas mãos, cabe a nós escolher, ou não, atirar. O alvo quem escolhe também somos nós!

Mas apesar de toda banalidade que se tornou. A fotografia é uma fonte inesgotável e mágica de informação, comunicação e arte. Faz todo sentido quando dizem que ‘’uma imagem vale mais que mil palavras’’ quando apreciamos uma bela imagem. É uma experiência direta, profunda, momentânea, histórica, saudosista. É linguagem, palavra, afeto, concreto, simples, reto. É prazer, lazer, fazer e muitas vezes: sem ter. É sorrir, partir, cumprir, sentir, seduzir. É arte, que faz parte de uma parte que preenche todo um ser. É isso que eu acabei de dizer. É poesia, tecnologia misturada com saber.

E esse meu pequeno ‘’poema’’ eu dedico a quem juntou uma grana para comprar uma câmera fotográfica, quem passa horas estudando ângulos e luz, quem quer a cada dia fazer ‘’a melhor foto da sua vida’’, quem se arrisca pelos vastos lugares ou situações, quem realmente ama o que faz (mesmo sendo desvalorizado), quem se sente a pessoa mais feliz e realizada possível quando escuta um: OBRIGADO! Feliz dia para todos vocês, incríveis e destinados fotógrafos, que o suor de cada clique seja recompensado e que essa profissão se torne, cada vez mais, um recanto de grandes profissionais e artistas: inspirados e inspiradores de uma geração. Hoje o dia é de vocês!

PARABÉNS!

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Damilly Mourão

Olá, meu nome é Dami(lly), tenho 22 anos e estudo psicologia. Tenho como inspiração o contato com a natureza, com os animais e as pessoas que me cercam. Fotografia é minha maior paixão e busco através do cinema, da música e da literatura minha fonte de arte e criação.

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Textos Amor

Somos NATUREZA

Quando eu era criança não fazia à menor ideia de que animais domésticos eram vendidos, por qualquer motivo que fosse. Como sempre adotei todos os bichinhos que criei até hoje, não tinha a menor ideia e possuía até uma visão inocente de que todos os adultos faziam como nós, que era normal todos adotarem, e apenas adotarem. Até eu descobrir que existia um comércio e que vida não era tão cor de rosa assim como eu imaginava.

Ainda bem isso aconteceu tarde e que esse sonho mágico de vida que existia na minha mente demorou a se desfazer. Através dessa ilusão de criança, cresci tendo apenas um objetivo com os animais: amar. Cresci trazendo animais de rua para dentro de casa, doando os filhotes das minhas cachorras e criando dessa maneira dentro de mim os melhores sentimentos possíveis, os sentimentos mais autênticos e puros que só os animais possuem.

Quando conheci a verdade, ela infelizmente me libertou. E me mostrou que quem estava preso mesmo eram as pessoas, e não os pássaros. E para a minha tristeza quem arcava com as consequenciais eram os que menos mereciam. Não conseguia ligar os pontos de raciocínio dessas mentes tão sem lógica. Não acreditava como as pessoas poderiam ser tão más com elas mesmas de não poderem amar quem só tinha amor para dar.

Com o amadurecimento, começamos a ver as coisas como elas realmente são, da perspectiva mais realista, humana, crua e fiel possível. Infelizmente, percebemos que consumimos/maltratamos/desrespeitamos os animais, a vida em que eles foram inseridos e o seu habitat. Animais esses que também sentem dor, sofrem e podem ter sentimentos. E tenho certeza que enquanto houver esse comércio desregulado, essa falta de amor e respeito, existirá a desvalorização da nossa maior ‘’propriedade’’: a natureza. Cães e gatos sendo trocados por moedas, campos sendo trocados por prédios, rios sendo regados de esgoto e as ruas de lixos contaminados.

Hoje percebo o quanto o ser humano ainda não evoluiu, o quanto somos presos na nossa trágica alienação. Achamos que o sim é sim, o não é não e com isso nunca mais mudamos de idéia. Tradições, culturas e costumes medievais se tornam intocáveis e sagrados, mesmo sendo indignos e subumanos, apenas por serem ‘’tradições’’. Ideias que não podem ser contraditadas. O capital que não pode ser moderado. E o afeto que não pode ser preservado.

Acredito que ainda temos muito que aprender com a evolução dos cachorros, que diferentemente da nossa, é legítima. Eles evoluíram do irracional para o sentimental. E não apenas tratam coisas como coisas, mas sentem sobre aquelas coisas. Os sentimentos que eles adquiriram foram justamente os que nós deixamos enfraquecer.  Entretanto, graças à benevolência do criador, fomos presenteados com esses seres, para quando perdêssemos o amor, eles nos complementassem.

Nosso retrocesso começa quando colocamos o dinheiro acima dos sentimentos. Quando deixamos de praticar o que a criança que éramos faria. Então, perdemos a capacidade da comoção e passamos a entrar em um estado de degradação. Destruindo o que nos trouxe a vida: o amor. Nossa percepção e olhar sobre o mundo deixam de ser sobre o mundo e se tornam sobre nós mesmos. Árvores se tornam móveis para nossa casa, cobras se tornam sandálias para os nossos pés e o ar que respiramos se torna cinza, assim como a nossa mente.

A evolução será essa: olhar o próximo como a si mesmo. Os campos, os pássaros, os rios, as vegetações, o céu, os animais e as plantas como olhamos para nosso reflexo no espelho. Enxergando neles um complemento nosso, em que a relação é mútua e dependente. E que necessitamos uns dos outros, aliás, SOMOS e fazemos parte uns dos outros. Somos interligados, conectados, dependentes e inteiramente vinculados uns aos outros. Nossas atitudes mudam a vida do lugar onde vivemos e dos seres com quem vivemos. Aprender a respeitar o ser vivo é aprender também a amar a VIDA.

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”Vendemos o que vestir, o que comer, a água que tomamos, o remédio que nos curamos, a luz que nos iluminamos, a terra que pisamos, mas que não vendemos que o amor em que cativamos.”

Damilly Mourão

Olá, meu nome é Dami(lly), tenho 22 anos e estudo psicologia. Tenho como inspiração o contato com a natureza, com os animais e as pessoas que me cercam. Fotografia é minha maior paixão e busco através do cinema, da música e da literatura minha fonte de arte e criação.