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A internet e a forma como nos desconectamos das pessoas

Você consegue se imaginar há uns dez anos atrás? Parece distante, mas vou te contar: nem é tanto. E um tempo atrás, não tínhamos tanta facilidade em estarmos conectados em todas as redes sociais, 24h por dia. Não alimentávamos nosso instagram com stories. Nem existia instagram. Acompanhávamos o básico pela internet. Vivíamos o intenso pessoalmente, fisicamente. Hoje, é tão fácil se atualizar de tudo e todos o tempo inteiro. Tão difícil abraçar, olhar no olho, encostar. Nos tornamos vitrines e vemos vitrines.

Posso ser um pouco hipócrita por fazer parte de tudo isso. Quem não faz? Minha avó faz! Mas a tecnologia e nossa forma de lidar com tudo isso, está fazendo com que relações físicas entrem em extinção. O toque, o ouvir e o falar, a expressão facial depois da fala. Mal se ouve voz, se não for do celular. Pro celular. O encontro na esquina, na praça, na lanchonete. A gente esqueceu como lidar e como se relacionar. Não nego, a internet me salvou e me abriu caminhos gigantescos. Me fez conhecer pessoas incríveis, de lugares incríveis. Te amo internet, não se chateie.

Mas existe um mundo aqui fora. Gigantesco. Com pessoas reais, sem provas grandes de poder ou de luxo. Existe um monte de vazio querendo ser preenchido. Um monte de silêncio interrompido pela internet, em vez de um beijo. E mesmo quando nos -desconectamos- e nos aventuramos nas pessoas, ainda estamos interligados ao mundo online. Onde vamos parar? Em cápsulas de vidro, talvez?

Mas ei, vou te contar: Nada melhor do que o sentir da pele. Do que o silêncio preenchido no olhar. Nada melhor do que o riso frouxo ao vivo. Ao vivo. Você aí, tá vivo? Tu vive? O que tu vive, hoje?

Ingrid Brandão

Sereia. Cigana. 24, do Ceará, de SP e do mundo. Bagageira de emoções. Um desastre. Amante de musica boa, filme chororô e lugares desconhecidos. Amante do amor. Todo tipo de amor. Vamos nos amar.

Um comentário em “A internet e a forma como nos desconectamos das pessoas

  1. Vira e mexe fico com vontade de me isolar e ficar na internet e num mundo que criei por dias, daí vejo que não posso, e grande parte desse tempo quando saio da minha “zona de conforto” e vou viver fico muito grata. É muito fácil a gente se isolar por trás de um aparelho ou fingir que está presente por mini mensagens e likes do que realmente estar. Custa menos né? Tempo, dinheiro, e memórias também… infelizmente. A vida, teoricamente, é pra ser vivida de uma forma balanceada que todo ser humano morre tentando achar a medida certa e isso vale tanto para as nossas formas de comunicação como por um todo.
    Se não for pra viver qual a graça de estar viva, né?

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